Os últimos dois anos trouxeram enormes desafios sociais e pessoais. Desafios que requereram superação e resiliência. A vida como a conhecíamos mudou, mostrando-nos a nossa fragilidade e o quanto não estamos em controlo total do que nos rodeia. Em 2020 veio a pandemia que nos trouxe medo, incerteza, dificuldades sociais, económicas e acentuou desigualdades. Instalou-se o medo da doença que nos levou ao isolamento, à distância de tudo e todos e à readaptação do viver socialmente; intensificou-se o online, o virtual, a telecomunicação e ao mesmo tempo a solidão; alteraram-se de forma profunda as nossas relações socias e afetivas. Fomos obrigados, como em qualquer momento de crise, a adaptarmo-nos, encontrar estratégias para lidar com a nova realidade e avançar. Este processo, apesar de global, não foi igual para todos e a vivência pessoal desta crise foi única e transformou cada indivíduo de forma diferente.

A seguir veio a guerra aqui tão próximo, que acentuou a crise humanitária que temos vindo a viver. Mais destruição, medo, deslocados, refugiados, vidas destruídas de um momento para o outro, mais uma vez a necessidade de reorganizar e reformular.

Nesta dura realidade que estamos a viver é fundamental não esquecer os afectos, as emoções e acima de tudo a empatia.

Empatia, competência socio emocional, que se define como a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro para compreendermos a sua realidade e os seus sentimentos e emoções, implica a aceitação e o respeito pelo outro sem julgamento e sem preconceitos.

Cada vez mais é fundamental fomentar e ensinar a empatia. Esta capacidade de nos colocarmos no lugar do outro permite-nos praticar a solidariedade, a gentileza, a generosidade e a noção de que cada um de nós deve ser um agente proactivo na consciência do mundo, de nós no mundo e do impacto dos nossos comportamentos.

Sermos empáticos com as emoções dos outros, especialmente o sofrimento, torna-nos mais conscientes das nossas atitudes e das nossas escolhas. A escolha da não violência, a escolha da inclusão e do respeito pelo próximo, a escolha do acolhimento e da noção da necessidade do outro, a escolha do diálogo livre, do saber ouvir, do saber expressar.

Devemos estimular a empatia em nós e nas nossas crianças, nunca esquecendo que elas aprendem com o nosso exemplo. Para isso devemos, adoptar atitudes como:

  • Demonstrar interesse pelos sentimentos e respeitar as emoções e opiniões do outro
  • Identificar e conhecer as nossas emoções
  • Respeitar as necessidades e os sentimentos dos outros
  • Compreender e agir de forma adequada face às emoções dos outros
  • Saber ouvir o outro
  • Não fazer juízos de valor e colocar os nossos preconceitos de lado
  • Estarmos conscientes das diferentes realidades e do que acontece no mundo que nos rodeia
  • Compreender o valor de conceitos como: liberdade, igualdade, respeito pela diferença, paz
  • Compreender o valor da vida humana

A empatia dá-nos a certeza que a violência nunca é a resposta, nada justifica a violência, nada justifica a falta de respeito pelo outro e pelo valor da vida humana.

A Paz constrói-se em primeiro lugar dentro de nós

Cidália Santos | Psicóloga Clínica | Clínica A Lacobrigense

Fonte: A Lacobrigense

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