A Beneficência Familiar – Associação de Socorros Mútuos

A Medicina Física e Reabilitação é uma especialidade médica abrangente, ligada ao diagnóstico e tratamento de uma grande variedade de patologias de elevada prevalência na nossa população.
Como médico especialista em Medicina Física e Reabilitação, trabalho diariamente em equipas de reabilitação, cujo objectivo principal é restabelecer a capacidade física e potenciar funcionalidades do doente, procurando deste modo melhorar a sua qualidade de vida, produtividade e inserção social. Integrada no processo global de reabilitação, a Fisioterapia é uma importante área de intervenção, constituindo uma arma terapêutica decisiva.
A importância da reabilitação é fundamental e crescente no actual contexto de envelhecimento populacional. Dentro das suas múltiplas áreas de intervenção destacam-se:

  • Reabilitação neurológica: dirigida ao tratamento de sequelas de doenças neurológicas muito prevalentes, tais como acidente vascular cerebral, esclerose múltipla, doença de Parkinson e lesões traumáticas como os traumatismos crânio-encefálicos e vértebro-medulares. Estas sequelas podem atingir de forma muito profunda o bem estar pessoal, familiar e social do doente, dado que podem abarcar alterações a nível cognitivo, psicológico ou comportamental; perda de mobilidade, do equilíbrio ou da capacidade de desempenho autónomo das actividades de vida diária (alimentar-se, vestir-se, tomar banho). No caso particular do acidente vascular cerebral, uma patologia com grande incidência em Portugal, é dado habitualmente maior ênfase à doença na sua fase aguda, vivida em meio hospitalar, ficando para segundo plano o período que se lhe segue, que muitas vezes inclui problemas que persistirão ao longo de toda a vida do doente. O acompanhamento terapêutico destes utentes está a cargo de equipas de reabilitação que incluem médicos fisiatras, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala, enfermeiros de reabilitação, psicólogos e assistentes sociais. A boa articulação entre todas estas áreas resulta em benefícios muito claros, valorizados pelos doentes e as suas famílias.
  • Reabilitação músculo-esquelética: dedicada ao tratamento de uma grande variedade de problemas, como as alterações degenerativas (artroses), sequelas pós-fractura óssea ou pós-operatórios do sistema músculo-esquelético. Destacam-se as patologias do foro degenerativo, cada vez mais frequentes na população envelhecida, que se manifestam frequentemente através da dor e a limitação na mobilidade das articulações. O papel do tratamento de reabilitação é também aqui crucial, dado que procura não só actuar no alívio das queixas, mas também na melhoria da capacidade funcional e qualidade de vida do doente.
  • Reabilitação pediátrica: dirigida ao tratamento de uma ampla variedade de problemas, como doenças metabólicas e genéticas, paralisia cerebral, doenças neuromusculares, malformações congénitas ou doenças do foro respiratório. Esta área de intervenção reveste-se de aspectos muito particulares, em que é dada relevante atenção ao desenvolvimento neurológico e psicomotor da criança. A criação de estratégias adequadas, em articulação com as famílias, as escolas e instituições de apoio social, visando o melhor aproveitamento dos recursos da criança, são determinantes para a sua melhor integração possível no meio familiar e social.
  • Reabilitação respiratória e cardíaca: área de intervenção ligada ao tratamento de sequelas de patologias respiratórias como as pneumonias, atelectasias e doença pulmonar obstrutiva crónica (bronquite, bronquiectasias) ou cardíacas (enfarte do miocárdio, insuficiência cardíaca, pós-operatório de cirurgia cardíaca). Com o tratamento de reabilitação, pretende-se melhorar a capacidade aeróbica, força muscular, tolerância ao esforço e capacidade para realizar exercício físico de forma segura, adequada e dirigida a cada caso particular. No actual contexto pandémico, são cada vez mais os casos de doentes com sequelas da infeção por SARS cov2. Os internamentos prolongados, principalmente em unidades de cuidados intensivos, levam a um descondicionamento global com perdas funcionais importantes. A realização de programas de reabilitação adequados e dirigidos é essencial para a reintegração plena destes doentes na sua vida pessoal, familiar e profissional.
  • Outras áreas de intervenção importantes são a reabilitação oncológica (particularmente nas sequelas de cirurgia do cancro da mama), reabilitação do pavimento pélvico (incontinências), reabilitação de amputados e reabilitação nas lesões desportivas.
    Não se pretende em tão pouco espaço abordar com profundidade a importância do tratamento de reabilitação para o indivíduo e para a sociedade no seu todo.
    Nem sempre é possível objectivar com números e estatísticas os resultados da intervenção dos profissionais de reabilitação; no entanto, o que se observa na nossa prática diária permite-nos ter uma visão privilegiada e são muitos e muito concretos os benefícios que tantos doentes referem, com impacto significativo na sua vida. São esses resultados que nos fazem sentir recompensados e motivados para continuar.

Dr. Pedro Sousa, Diretor Clínico da Clínica Fisiátrica da Liga das Associações Mutualistas do Porto

A Lacobrigense – Associação de Socorros Mútuos

A importância da Fisioterapia para a Saúde e Bem-estar

A visão da Fisioterapia apenas como um processo de recuperação de lesões, onde é utilizado somente, ultra-som, TENS, Massagem, está ultrapassada.

Em uma abordagem voltada à promoção de saúde, a fisioterapia preventiva foca na prevenção e não só na reabilitação da lesão, proporcionando uma melhor qualidade de vida nas tarefas da vida diária, no trabalho, no desporto.

Após uma avaliação rigorosa, é feito um plano pelos fisioterapeutas de acordo com as necessidades do paciente, através de exercícios específicos e técnicas especializadas.

A fisioterapia preventiva tem como alvo todo o tipo de público, desde o idoso ao atleta de alta competição, desde da falta de mobilidade ao melhoramento da Performance, desde do deficit de força ás alterações posturais.

De modo a disponibilizar a todos os utentes o acesso aos serviços de forma simplificada, a Clínica Lacobrigense possui também Protocolos com diversas entidades, nomeadamente:

  • ADSE
  • Multicare
  • AdvanceCare
  • Wells

Face à crescente procura e, numa perspetiva de melhoria contínua das condições e dos cuidados prestados aos nossos utentes, a clínica Lacobrigense, dispõe já de uma equipa de fisioterapeutas especialistas que contribuem para a resolução de saúde e melhoria de vida dos utentes.

Ruben Capela e Mário Barroso – Fisioterapeutas na Clínica A Lacobrigense

Montepio Rainha D. Leonor – Associação Mutualista

A 8 de Setembro comemora-se o Dia Mundial da Fisioterapia. Este dia foi instituído pela Confederação Mundial de Fisioterapia (WCPT) e é celebrado desde 1996.
Segundo a WCPT, a Fisioterapia é o serviço prestado por fisioterapeutas a indivíduos e populações de forma a desenvolver, manter e restaurar o máximo movimento e capacidade funcional ao longo da vida. O serviço é prestado em circunstâncias em que o movimento e a função estão ameaçados pelo envelhecimento, lesão, dor, doenças, distúrbios, condições ou factores ambientais.
Os campos de actuação da Fisioterapia são muitos abrangentes, acompanhando o indivíduo desde o período pré-natal (através da Fisioterapia especializada na Saúde da Mulher) até ao fim da sua vida (Fisioterapia nos Cuidados Paliativos).
As suas áreas de intervenção incluem a Fisioterapia Músculo-Esquelética, Cardiorrespiratória, Neuro-muscular, Fisioterapia no Desporto, Oncologia, Dermatofuncional, Hidroterapia, entre outras.
Muitos dos fisioterapeutas em Portugal actuam a nível hospitalar, em unidades de Cuidados Continuados e em clínicas privadas. No entanto, é importante salientar o trabalho desenvolvido ao nível dos Cuidados de Saúde Primários, na promoção da saúde, nomeadamente em programas de prevenção de quedas, de promoção da mobilidade e da actividade física.
Com o surgimento da pandemia em 2020 surgiram novos desafios à prática profissional. A capacidade de adaptação do fisioterapeuta foi colocada à prova e foi necessário recorrer a outros recursos, tendo existido um desenvolvimento significativo de uma área menos explorada, a Telefisioterapia. Esta consiste na utilização de meios digitais de comunicação para a realização de intervenção em Fisioterapia de forma remota, seja de modo exclusivo ou como complemento à intervenção presencial.
O contributo da Fisioterapia no combate à COVID-19 tem demonstrado ter uma importância fundamental na reabilitação destes pacientes. O fisioterapeuta, integrado numa equipa multidisciplinar, actua desde a fase aguda, em meio hospitalar, nomeadamente nas unidades de cuidados intensivos assim como numa fase crónica da doença, COVID longa.
Os sintomas mais comuns de COVID longa, após seis meses, incluem exaustão extrema, exacerbação dos sintomas pós-esforço e problemas de memória e concentração. O fisioterapeuta, através de um plano terapêutico individualizado e devidamente monitorizado pode ajudar estes indivíduos a restaurar as suas funções e maximizar a sua recuperação.
Atualmente, o Fisioterapeuta é um profissional de saúde diferenciado que utiliza todas as ferramentas que possui ao seu dispor, e mesmo por detrás da máscara, tem sempre um sorriso para oferecer aos seus utentes, para os quais trabalha todos os dias para maximizar a sua função e melhorar a sua qualidade de vida.

Daniela Gameiro – Fisioterapeuta Coordenadora no serviço de Fisioterapia do Montepio Rainha Dona Leonor, Associação Mutualista

APM