Após um ano do início da pandemia e um excelente esforço colectivo para achatar a curva epidemiológica, a COVID-19 empurra-nos para casa novamente, remetendo-nos para uma situação de confinamento que, para além de nos dar alguma segurança, obriga-nos a focar no bem comum, na esperança de nos podermos proteger e proteger os mais vulneráveis e os que nos são queridos.

Com o avançar do tempo o medo inicial diminui e pode surgir sobrecarga emocional provocada pela necessidade de estar sempre atento e ter que cumprir com todos os procedimentos de segurança. Isso leva-nos a estar menos disponíveis para seguir as orientações e manter os comportamentos de proteção, a esta reação chama-se fadiga pandémica e atinge 60% da população.

Contudo, apesar do cansaço temos já a vantagem de saber o que funcionou connosco e com a nossa família e essa experiência permite-nos lidar melhor com este segundo confinamento. Algumas ferramentas que podemos usar são:

Ferramentas emocionais

  • Esteja atento às suas emoções, sentimentos e pensamentos. É natural que o seu humor e motivação possam variar e que o medo ou a ansiedade surja, nessa altura procure falar com alguém em quem confia e partilhe como se sente.
  • Procure lembrar-se de como já ultrapassou outras situações difíceis na sua vida e quais foram as estratégias que resultaram, use-as e adapte-as nesta situação.
  • Use o humor, isso não significa que não está ciente da gravidade da situação, mas permite-lhe diversificar emoções e pensamentos, proporcionar momentos de alegria, aliviar tensões e fortalecer os laços com os outros. Como diz o ditado “rir é o melhor remédio!”
  • Mantenha-se ativo fisicamente, se possível implemente uma rotina de exercícios, pois a actividade física regular diminui a ansiedade e o stress.
  • Tranquilize as crianças, o isolamento pode aumentar as dificuldades emocionais dos mais novos, que podem expressar sentimentos de infelicidade, frustração, preocupação e sintomas físicos de ansiedade.

Ferramentas relacionais/sociais

  • Não descuide o autocuidado familiar, partilhe tarefas e tempo de qualidade em família, mantenha hábitos e rotinas familiares.
  • Todos os membros da família devem ter um tempo reservado para fazer o que os faz felizes, programe esse tempo.
  • Mantenha o contato; o distanciamento físico não tem que significar isolamento. A partilha de experiências e de emoções positivas com outros familiares e amigos é uma óptima ferramenta para nos tornarmos mais resilientes.
  • Controle o teletrabalho, estabeleça limites para o tempo que está a trabalhar, faça pausas sempre que sentir que a sua capacidade de atenção/concentração diminuiu e faça uma alimentação adequada.
  • Mantenha-se informado o quanto baste, seja criterioso pois há muita desinformação. Por vezes é melhor uma “dieta dos media” do que se deixar assoberbar de informação.

Caso sinta que não está a ser capaz de lidar com a situação, peça ajuda profissional, isso não é sinal de fraqueza mas é o primeiro passo para a resolução.

Emanuel Santos, Psicólogo da Benéfica e Previdente – Associação Mutualista

APM