A importância da economia social e solidária já era relevante no Portugal anterior à pandemia, e a verdade é que nos últimos anos tem assumido um peso crescente na economia do país. Os números deixam-no bem claro: em 2016, as quase 72.000 entidades da Economia Social geraram 3,0% do VAB da economia, tendo aumentado 14,6%, em termos nominais face a 2013, um crescimento superior ao do conjunto da economia no mesmo período, e foram responsáveis por 5,3% das remunerações e do emprego total.

Com a pandemia, a importância da economia social e solidária cresceu ainda mais, na medida em que o grupo de maior risco está incluído neste segmento. Apesar da capacidade de resposta das instituições aos novos desafios ter funcionado como amortecedor do impacto que a Covid-19 teve nos utentes, nas famílias e na sociedade, é crucial reinventar a forma de agir e pensar o setor social.

No momento em que a pandemia se abateu sobre a sociedade, o papel do Banco Montepio foi crítico, na medida em que procurámos estar próximos e em contacto com as instituições desde a primeira hora, para passar uma mensagem encorajadora e tranquilizadora, ao mesmo tempo que lhes garantíamos a liquidez necessária para que as questões financeiras não fossem um problema acrescido para os nossos clientes. O Banco Montepio também inovou e foi pioneiro na disponibilização de apoios às instituições da economia social e solidária com um único objetivo: ajudar quem ajuda, sendo exemplo a Conta Acordo, uma facilidade de descoberto que permite antecipar a utilização dos fundos dos acordos de cooperação com o Estado.

Mais recentemente, disponibilizámos uma bolsa de parceiros estratégicos que apoiam as entidades deste setor a candidatarem-se ao programa PARES 3.0 ou à Linha do Fundo para a Inovação Social (FIS) Crédito, um mecanismo de financiamento da implementação de iniciativas de inovação social nas organizações, em áreas como a promoção do emprego, a inclusão social, a promoção do envelhecimento ativo e a promoção da saúde e do bem-estar.

Trabalhar mais em rede passou a ser uma nova realidade no setor social, acelerada pela pandemia. As instituições tornaram-se mais eficientes e mais cooperantes entre si. Para o futuro, é importante que as instituições públicas, privadas e sociais continuem a trabalhar em rede, de forma a obter respostas mais eficazes. Para tal, é importante que o setor social e solidário responda aos desafios para a construção de um Portugal pós-Covid-19: o planeamento, a liderança, a gestão dos recursos humanos, a cooperação, a medição do impacto social, a inovação e a sustentabilidade nas instituições.

No que se refere ao Banco Montepio, enquanto Banco da Economia Social, está e continuará comprometido com o setor social, disponibilizando soluções financeiras que permitam investimentos em melhorias das respostas ou equipamentos, mas também em fazer crescer pessoas e ideias, criar negócios, gerar emprego e, acima de tudo, criar valor para a sociedade. Promover a igualdade de oportunidades e uma sociedade mais inclusiva e próxima continuará a ser a nossa missão num Portugal pós-Covid-19.

Autor: Fernando Amaro, Diretor da Economia Social do Banco Montepio

Fonte: O Jornal Económico

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