Até 2023, todos os municípios deverão ter dentista nos centros de saúde. Por ora, a cobertura atinge 91 (33%) dos 278 concelhos do continente. Este ano, o Orçamento do Estado prevê 1,8 milhões de euros para alargar as respostas de saúde oral a mais 20 localidades.

O projeto para disponibilizar dentistas nos cuidados primários nasceu na anterior legislatura e assenta na parceria com as autarquias, que assumem a despesa com a cadeira de dentista e o equipamento.

No caso de Valongo, os dois gabinetes inaugurados ontem pela ministra da Saúde – para dar resposta às populações de Ermesinde/Alfena e de Valongo/Sobrado – custaram 90 mil euros, adiantou o presidente da Câmara. O Ministério da Saúde responsabiliza-se pela contratação dos profissionais.

Norte tem mais gabinetes

“Dos 55 Agrupamentos de Centros de Saúde [ACES], 47 já têm respostas de saúde oral”, afirmou a ministra Marta Temido, em Ermesinde. E mais de metade estão no Norte [ver infografia]. A região tem um total de 24 ACES, dos quais 23 já têm dentista. Falta apenas o de Braga, confirmou a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte.

Para este ano, a proposta do Governo do Orçamento do Estado, já aprovada na generalidade, prevê uma despesa de 1,8 milhões de euros para a contratação de profissionais de saúde, de forma a alargar as respostas de saúde oral nos Cuidados Primários a mais 20 municípios. Há ACES e até concelhos, como é o caso de Valongo, que têm mais do que um gabinete de dentista.

Usam pela primeira vez

Aquela que era considerada uma das mais graves carências do Serviço Nacional de Saúde está a ser colmatada e as novas respostas estão a melhorar a qualidade de vida de milhares de utentes.

“Temos pessoas com 80 anos que nunca se tinham sentado numa cadeira de dentista”, frisou o presidente da Câmara de Valongo, José Manuel Ribeiro. Uma constatação generalizada a quase todos os municípios que já disponibilizam saúde oral nos cuidados primários. “Fizemos um caminho significativo”, mas temos “caminho para andar”, referiu a ministra, realçando o objetivo de chegar a todos os municípios até ao final da legislatura.

Resposta complementar

A medida será complementar ao Programa Nacional de Saúde Oral, através do qual são distribuídos cheques-dentista a grupos-alvo, como as grávidas, os beneficiários do complemento solidário para idosos, as crianças e jovens que frequentam o ensino público e IPSS, os utentes com infeção por VIH/sida e com lesão suspeita de cancro oral. Com os cheques, os utentes são atendidos nos consultórios que aderem ao programa.

“Os cheques-dentista são uma resposta complementar à dos cuidados primários e não vemos nenhuma inconsistência no alinhamento destas duas respostas”, salientou Marta Temido, destacando que está previsto no programa do Governo o alargamento do cheque-dentista a crianças entre os dois e os seis anos.

10% não têm dentes

Mais de 30% dos portugueses não vão ao dentista ou só o fazem em caso de urgência e quase 10% não tem qualquer dente, segundo o Barómetro da Saúde Oral de 2019.

Falta de dinheiro

Dos portugueses que nunca vão ao dentista ou só vão em caso de necessidade, 22,8% justificam a decisão por falta de capacidade financeira, revela o mesmo estudo, divulgado em novembro passado.

Dentes por substituir

Quase metade (48,6%) dos portugueses com falta de dentes naturais não têm dentes de substituição. Em 2014, este valor era de 56,1%.

Pouca informação

O barómetro revelou ainda que 59% dos portugueses não sabiam que o SNS disponibiliza consultas de saúde oral.

Fonte: JN