Lila tem 13 anos e pertence a uma numerosa família cigana que encontra no sistema de ensino regular enormes desafios para as suas “meninas”. Não faz, normalmente, parte do projeto de vida das jovens ciganas completar a escolaridade obrigatória. Na escola, a exposição das meninas aos “perigos” de se desviarem do caminho traçado pelos pais, casamento e maternidade, aumenta. Assim, apesar da vontade da mãe da Lila que a filha pudesse ter uma vida diferente, o pai não queria que a filha estudasse mais.

O Buba tem 14 anos e pertence a uma família que tinha como pedra basilar uma avó recasada que o cancro derrubou. A mãe cedo o abandonou aos cuidados de um pai que, volta e meia, parte em trabalho sem se despedir. O “avô”, apesar de não ter o mesmo sangue a correr-lhe nas veias, é quem lhe assegura o presente. Este nosso primeiro utente era um bebé gigante, carente de mimos e atenção, que encontrava nos maus comportamentos na escola a forma de reclamar o que tanto lhe faltava.

A Lulu tem 10 anos e pertence a uma família equilibrada financeira e emocionalmente, vive numa casa adaptada ao tamanho do agregado, frequenta uma boa escola, é boa aluna e tem uns pais presentes. Como em tantas famílias, os pais têm horários muito pouco compatíveis com os horários escolares e o tempo que sobra gostam de o aproveitar para passá-lo, em qualidade, com os seus filhos.

Sem o PROJETO SELFIE* da MUSSOC, a Lila teria deixado de ir à escola, o Buba iria à escola apenas para passar o tempo e a Lulu teria mais escola em casa.

A Lila frequenta hoje o Ensino à Distância com um acompanhamento quase personalizado e tem o apoio ao estudo que precisa. É certo que lhe falta a componente de socialização que a escola oferece, mas está na “escola”, é participativa nas aulas, tem tido aproveitamento e pode (talvez) desenhar um projeto de vida diferente para si.

O Buba encontrou um espaço onde pode abraçar e ser abraçado, onde se sente parte de uma família maior e onde é importante para os que o rodeiam. Aqui ele foi encontrando a estabilidade emocional que transborda em casa, na comunidade e na escola.

A Lulu vem sempre que o seu horário permite. Aqui ela faz trabalhos de casa, estuda e brinca com crianças que afinal não são assim tão diferentes. Vai contagiando com o otimismo de quem se sabe muito amada e é muito bem cuidada. Em casa, o tempo é para aproveitar os pais e o irmão.

A mutualidade MUSSOC, a par de benefícios de proteção social, criou um espaço de crescimento pessoal e social onde cada criança e jovem pode ser exatamente aquilo que é. Um espaço seguro e de confiança onde as famílias sabem que os seus filhos podem ser felizes e realizar o seu potencial. Um espaço que promove a interação de crianças com realidades bem diferentes para benefício mútuo e impacto concreto nas suas vidas.

O PROJETO SELFIE da MUSSOC é hoje uma realidade, mas apenas porque pais como os da Lila ousaram ser ligeiramente diferentes, porque avós como o do Buba nos dão o exemplo dos que procuram o bem-estar de “estranhos” e porque pais como os da Lulu escolhem educar os filhos preparando-os para a diversidade de um mundo que também é o deles.

As famílias não procuram verdadeiramente produtos ou serviços… procuram uma “família alargada” que possa ajudá-las a criar seres humanos incríveis. É exatamente isso que na MUSSOC queremos ser.

*Apoiado pela Junta de Freguesia de Alvalade (Lisboa)

Presidente da Direção da MUSSOC – Associação Mutualista dos Trabalhadores da Solidariedade e Segurança Social

Fonte: Jornal de Negócios