Plano Local de Saúde é o que junta estas entidades, desde as instituições de solidariedade, Educação, Proteção Civil, forças de segurança, Igreja e até da Justiça, que assinaram hoje, em Macedo de Cavaleiros as cartas de compromisso com a Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste.

O plano resulta de um trabalho que leva já alguns meses entre os diferentes parceiros que identificaram três áreas prioritárias de atuação na região, concretamente as doenças cerebrocardiovasculares, oncológicas e mentais.

O plano visa “mais do que tudo apostar na prevenção”, como sublinhou o presidente da ULS do Nordeste, Carlos Vaz, na cerimónia de apresentação do documento com as estratégias para trabalhar em conjunto até 2020.

Nesta região com 126.466 utentes, irá haver em cada centro de saúde um profissional que fará a ligação com a comunidade e os diferentes parceiros estarão atentos aos três principais problemas identificados como prioritários relativos às doenças cerebrocardiovasculares, oncológicas e mentais.

A coordenadora do plano, Inácia Rosa, explicou que um dos propósitos é “aumentar a literacia da comunidade para os três problemas identificados e desenvolver atividades específicas para cada problema”.

Concretamente, o trabalho conjunto visa “aumentar o diagnóstico da hipertensão, da fibrilhação auricular e do colesterol, no caso das doenças cerebrocardiovasculares, por serem as causas principais do AVC, Acidentes Vasculares Cerebrais, patologia com significativa incidência nesta região.

Outro dos objetivos é “melhorar os rastreios oncológicos”.

“Já existem três rastreios que estão a ser feitos, o objetivo é, em vez de termos tantos panfletos espalhados, fazermos só um onde estejam os três rastreios englobados. É mais fácil as pessoas lerem um panfleto do que lerem vários avulsos”, considerou.

Melhorar o acompanhamento dos doentes é uma meta transversal a todos os problemas identificados e o na doença mental que o projeto “é mais ambicioso, inclui muitos gastos para a ULS”, como apontou a coordenadora do plano.

O projeto “implica haver um hospital de dia para os doentes, para crianças e jovens, em espaços que já existem e onde irá haver um maior acompanhamento”, porque constatam existirem muitos doentes que depois de terem alta não têm onde ficar”.

“A ideia é haver um espaço intermédio até à colocação na comunidade numa instituição, por exemplo. Muitas vezes as pessoas estão isoladas e temos casos de doença mental grave que são internados e quando estão compensados vão para a comunidade e não têm ninguém, não têm uma retaguarda, estão sozinhos e voltam ao mesmo”, concretizou.

“Se não houver uma articulação entre a comunidade e os serviços de saúde, não vai fazer o tratamento e vai descompensar e mais um internamento”, acrescentou.

Com este plano, as entidades envolvidas comprometem-se com mais articulação para dar respostas e em ações de prevenção.

A Comunidade Intermunicipal (CIM) Terras de Trás-os-Montes é uma das parceiras e o presidente, Artur Nunes, salientou este “trabalho de base regional” e garante apoio na reivindicação por mais investimentos na Saúde nesta região.

Segundo disse, nas verbas comunitárias do programa 2020 há dinheiro que não foi aplicado e está a ser reprogramado e uma das reivindicações é que na revisão este “território tenha uma comparticipação importante para investimentos em hospitais e centros de saúde”.

Fonte: Diário de Notícias