“O envelhecimento da população e a redução da natalidade na sociedade portuguesa trazem novas preocupações e desafios à proteção social e ao futuro do trabalho. O tema abriu o Empower Results Day for Clients, um evento promovido pela Aon, multinacional líder em serviços de soluções de risco, reforma e saúde, em parceria com o Dinheiro Vivo, que decorreu no passado dia 30, na Fundação Serralves, no Porto.

Pedro Penalva, CEO da Aon Portugal, diz que são temas importantes para o país e para as empresas, que urge debater para se pensar “estratégias de futuro”. Por um lado, a “demografia complexifica-se”, mas, por outro, “encontramos sinais de dinâmica contrária”, nomeadamente com a “atração e desenvolvimento de talento”, sublinhou João Mendonça, CCO da Aon Portugal, acreditando que é possível encontrar alguma “complementaridade” nos dois cenários.

Portugal “é um país que tem vindo a envelhecer”, mas faltam “políticas” de adaptação à nova realidade e de fomento da natalidade, alertou António Tavares, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, durante o debate “As pensões e os desafios da evolução demográfica”, o primeiro de dois moderados pela diretora do Dinheiro Vivo, Rosália Amorim. Temos “pessoas com maior esperança de vida” e “famílias cada vez são mais reduzidas, o interior profundamente envelhecido sem atividade económica e o litoral onde se concentra grande parte da população”, descreveu o provedor, que olha com “preocupação” para o problema.

O aumento da longevidade leva, além do aumento dos custos com pagamento de pensões, ao aumento do número de pessoas que vivem o período de aposentação com doenças crónicas e problemas de saúde e bem-estar, o que também “vai ter implicações na despesa pública e necessidade de apoio”, alerta o provedor da Santa Casa. “Vamos colocar as pessoas em instituições, em equipamentos de doenças coletivas? Não me parece que esta seja a resposta para esta dificuldade que vai atingir tantas pessoas.” Na ótica de António Tavares, “vai ser necessário levar serviços a casa das pessoas, vai ser necessário que as pessoas possam ficar em casa mais tempo, porque vão viver mais tempo. Isso obrigará a um novo diálogo entre a Segurança Social e a Saúde para dar resposta e a uma nova forma de organização da sociedade”.

As contas do professor de Economia da Universidade do Porto, Óscar Afonso, não são animadoras. ‘É expectável que, até 2040, o país perca cerca de 800 mil pessoas, passando dos 10,3 milhões de habitantes contabilizados, em 2016, para 9,5 milhões. A população jovem vai diminuir e a população idosa aumentar, o que pressupõe um “grande impacto” nas despesas relacionadas com a Segurança Social.É preciso “receita para pagar isto tudo, mas as taxas não podem aumentar para sempre, há um limite. É preciso fazer crescer a economia e aumentar a produtividade” para suportar as respostas necessárias.

António Tavares insiste numa visão política de médio e longo prazo, para que possa haver medidas com impactos reais, uma espécie de consenso entre partidos que atravesse legislaturas, reduzindo a pressão e a burocracia às instituições e famílias e permitindo um maior planeamento. “Faz falta termos políticas públicas consensualizadas ao centro do espectro político e que possam durar uns dez anos. Políticas que não se preocupem com a próxima eleição mas com a próxima geração”, pede António Tavares.

Paula Silvestre, diretora da Associação Empresarial de Portugal, diz que há uma “preocupação” do setor empresarial face ao envelhecimento da população e à baixa da natalidade, uma vez que isso tem impacto na população ativa e na produtividade das empresas, algumas têm vindo a implementar medidas de apoio à família, como “a criação de creches, a possibilidade de os pais poderem almoçar com os filhos e apoios à natalidade”, enumera. Mas ainda não se nota grande reflexo dessa preocupação, porque há outras questões urgentes para resolver, “como o investimento e a necessidade de internacionalizar”.

Mas nem tudo são más notícias, considera o provedor da Santa Casa, pois desta nova realidade “pode surgir uma economia do envelhecimento”, à volta da qual se criem alguns novos trabalhos e atividades.

Fonte: dinheiro vivo