Por ano, cerca de 89 mil doentes portugueses precisam de cuidados paliativos, mas apenas metade das pessoas referenciadas têm acesso aos serviços, segundo estimativas da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos.

“Proporcionar conforto e dignidade a pessoas que vivem com doenças crónicas, progressivas e incuráveis, oferecendo-lhes a melhor qualidade de vida possível, é o principal objetivo destes cuidados. O foco principal é o doente e a família, ao invés de focar a doença”, explica ao CM a equipa da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital de Cascais. A assistência, sublinham, “não se destina apenas aos doentes nos últimos dias ou semanas de vida”. De acordo com a equipa, os cuidados paliativos podem ser realizados em todas as faixas etárias.

Em Portugal existem pelo menos seis mil crianças e jovens com necessidades paliativas: a maioria está referenciada no Porto e em Lisboa. Os especialistas alertam para falta de recursos para responder às necessidades dos doentes.

As equipas paliativas são multidisciplinares. Desta forma, dependendo das necessidades do paciente, os especialistas poderão variar. “A estrutura base de uma equipa integra médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos. No entanto é fundamental a colaboração de fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos, terapeutas ocupacionais ou guias espirituais”, explicou a equipa do Hospital de Cascais.

Famílias assumem papel importante na assistência

As famílias dos pacientes assumem um papel fundamental nos cuidados paliativos. A assistência não é prestada apenas ao doente, mas também aos familiares, já que estes têm de aprender também a lidar com determinadas situações. Desta forma, a intervenção das equipas multidisciplinares inclui reuniões com as famílias, assim como ações de formação e garantia de apoio.

“O acompanhamento desde cedo dos doentes e seus familiares possibilita a atuação precoce no tratamento de sintomas, prevenindo o sofrimento, o apoio psicológico no processo de adaptação à doença e às sucessivas perdas, a resolução atempada de problemas sociais, e a prevenção do luto patológico”, explica ao CM a equipa do Hospital de Cascais. O alívio dos sintomas, como a dor, falta de ar, cansaço e até falta de apetite, por exemplo, é feito através de medicação, mas também de outras técnicas, consoante o diagnóstico do paciente. O alívio pode ainda ser complementado com medidas como a fisioterapia, massagens, apoio psicológico e/ou espiritual.

Fonte: Correio da Manhã