Muito foi dito e escrito sobre o grupo Montepio nos últimos anos, e não sobre o seu lado mais favorecido. Abanou a estrutura da Caixa Económica: atiraram-se acusações, mexeram-se nos estatutos, tomaram-se as trincheiras na Assembleia da República, temendo o espetro da injeção de dinheiro dos contribuintes em projetos em risco (o que, como todos sabemos, contrariamente a tantos outros no setor, nunca aconteceu no caso da Associação Mutualista Montepio e da sua Caixa Económica). Mas a Caixa Económica não ruiu: porque se manteve sempre apoiada naquela que constitui a verdadeira base da sua fundação – a Associação Mutualista – e nos valores inabaláveis que serviram de pilares para a construção daquela que é uma das mais antigas associações de Portugal e uma das maiores mutualidades de toda a Europa.

O que lhe dá força e serve de prova dos seus sucessos são os associados do Montepio. O que lhe dá relevância é o garante que está a cumprir o seu compromisso de colocar a economia ao serviço das pessoas, muitas delas (cada vez mais) em situação fragilizada. Na mesma linha do Mutualismo surgiram as Misericórdias Portuguesas, historicamente ligadas à tradição tauromáquica, não só por serem proprietárias de várias praças de touros em Portugal, como também por terem defendido esta atividade aquando da Revolução Liberal, devido ao seu papel essencial no contexto da beneficência. As receitas das atividades tauromáquicas revertiam assim em prol dos membros mais fragilizados da comunidade, servindo de pedra basilar de apoio para milhares de famílias em todo o País.

É precisamente também nesta altura que surge a Associação Mutualista Montepio como pioneira quando, em 1840, começa a dar os primeiros passos na aplicação do Mutualismo em Portugal. Hoje é a referência. Cedo marcou a diferença pela sua visão muito própria e pelo modelo de resposta às necessidades da população, nos domínios da previdência, da valorização das poupanças e da afirmação da Economia Social (sendo que neste último ponto se tem cimentado como um bastião português na área).

O ser humano, iminentemente social, instintivamente procura ajuda na sua comunidade e na sua rede quando encontra um problema. Eis que surge a ideia do mutualismo, da simbiose entre vários indivíduos que, perante necessidade, estabelecem uma relação solidária de entreajuda sólida e recíproca em todos os sentidos possíveis.

Uma comunidade (qualquer que seja) só se constitui e prospera com a partilha do risco e a solidariedade da ação. E é neste aspeto que reside o sucesso da Associação Mutualista Montepio, que se posiciona como uma ponte entre duas margens: o setor solidário e o lucrativo.

Tudo isto ao mesmo tempo que assume parcerias de vários âmbitos com o Estado e com as outras entidades do setor social, sempre tendo como horizonte o desenvolvimento sustentado de uma política de inclusão, aspeto que cada vez mais se revela como instrumento essencial na manutenção da democracia, junto daqueles que são a sua base e devem ser a sua maior preocupação.

Com mais de 600 mil associados, espalhados por todo o País, de Norte a Sul, para muitos portugueses é a primeira (e única!) mão estendida quando estamos a falar de questões tão básicas, como a saúde, a segurança e proteção social, a habitação, o desenvolvimento cultural.

É nesta rede de solidariedade tão única, que as sementes da cidadania consciente, da solidariedade, da inclusão e do humanismo encontram as condições ideais para crescerem e se disseminarem, banhadas pela luz do mutualismo – que a Associação Mutualista Montepio continua a trabalhar com afinco para levar a todo o Portugal.

Fonte: Diário de Notícias