A problemática dos Cuidados Domiciliários está cada vez mais na ordem do dia, nomeadamente em Portugal, onde é elevada a taxa de doenças crónicas e incapacitantes na população.

“Integração de Cuidados – Cuidar em Casa” foi o tema da conferência que a RedeMut – Associação Portuguesa de Mutualidades e as Residências Montepio promoveram, dia 7, pelas 15 horas, no auditório do Montepio, em Lisboa, e que teve como conferencistas os professores Constantino Sakellarides (ex-diretor-geral da Saúde e professor jubilado da Escola Nacional de Saúde Pública) e Manuel Lopes (coordenador da Rede Nacional de Cuidados Continuados e Integrados).

A problemática dos Cuidados Domiciliários está cada vez mais na ordem do dia, nomeadamente em Portugal, onde é elevada a taxa de doenças crónicas e incapacitantes na população e que, em boa verdade, só excecionalmente carecem de internamento hospitalar de elevados custos.

Por outro lado, além daquelas doenças crónicas, também o aumento da esperança de vida, com o consequente aumento da população de idosos, e o défice de camas hospitalares impõem uma abordagem diferente da prestação de cuidados.

Temos mais idosos cada vez mais dependentes, o que acarreta um aumento dos custos da saúde; os internamentos são caros e, muitas vezes, a vida profissional dos familiares não lhes permite acompanhar os doentes como seria desejável.

Surgem então os cuidados no domicílio que, além de assegurarem a qualidade dos tratamentos e ajudarem a reduzir a despesa, proporcionam conforto e bem-estar a quem deles necessita – tratados em casa, os doentes sentem-se melhor, mais acompanhados, e a sua recuperação é francamente melhor.

Os cuidados prestados aos indivíduos e às famílias, nas suas residências, têm por finalidade promover, manter ou recuperar a saúde, maximizando o nível de independência e minimizando os efeitos da dependência ou da doença terminal.

Além de cuidados curativos e de resolução de problemas centrados em aspectos biológicos, os cuidados domiciliários proporcionam, também, uma abordagem física, psicológica e social, encarando o indivíduo como um ser biopsicossocial.

Com efeito, estes cuidados, prestados por profissionais treinados, dão resposta a necessidades que podem ser de reabilitação, apoio de enfermagem em procedimentos técnicos ou acompanhamento, bem como apoio nos serviços domésticos e necessidades básicas.

Em recente conferência de imprensa, Hans Kluge, especialista em saúde pública e representante da Organização Mundial da Saúde no grupo de peritos que a pedido do Governo português avaliou as nossas políticas de saúde, recomendou que “Portugal deve direcionar para o apoio domiciliário” muitos dos serviços que são prestados em ambiente hospitalar.

Segundo este especialista, “muitos doentes, nomeadamente crónicos, não precisam de ser curados, mas antes terem qualidade de vida”.

A RedeMut engloba 22 associações mutualistas, algumas destas disponibilizando já aos seus associados serviços de apoio domiciliário na área social, conscientes de que estes apoios podem ser alargados à área da saúde. Esta conferência surge, exatamente, como um fórum de discussão e dinamização deste tipo de cuidados.

Fonte: Jornal de Negócios