Cerca de um milhão de portugueses (10,8%) deixaram de comprar, no ano passado, os medicamentos prescritos pelo médico por falta de dinheiro. Ainda assim, este é um valor inferior ao de 2016 (ver infografia), revela o estudo Índice de Saúde Sustentável, divulgado esta terça-feira.

Quanto aos que conseguiram adquirir os remédios, 59,5% afirmam que são destinados ao tratamento de doenças crónicas e mais de 14% dos inquiridos consideram que o custo dos medicamentos que lhes foram prescritos não são adequados. Sobre o estado de saúde, quase metade dos portugueses consideram que este afeta as atividades diárias, uma percentagem inferior aos que consideram que o estado de saúde lhes provoca dor ou mal-estar (47%) e aos que responderam que afeta negativamente a qualidade de vida (48%).

A satisfação da população com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem vindo a diminuir desde 2016. Ainda assim, quase 70% acreditam na eficácia dos cuidados de saúde recebidos e 71,4% acreditam nos bons resultados dos medicamentos receitados.

Os tempos de espera entre a marcação e a realização dos atos médicos são a principal queixa de insatisfação. De acordo com o estudo, os portugueses faltaram quase seis dias ao trabalho no ano passado, o que representa um prejuízo superior a 2,1 mil milhões de euros.

O documento faz ainda uma avaliação das contas do SNS. O investimento no SNS permitiu um retorno económico de cinco mil milhões de euros no ano passado. Uma situação que o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, justifica com o facto de o Governo ter feito “um esforço para melhorar a capacitação do sistema e reforçar os recursos”. Para a realização do estudo foram inquiridos 500 utentes, num universo superior a 8,6 milhões de pessoas.

Faltam meios para pagar idas ao médico O custo do transporte e das taxas moderadoras tem um peso expressivo no momento do doente decidir ir ao médico. O Índice de Saúde Sustentável estima que no último ano não foram realizados perto de 3,5 de milhões consultas, exames e atendimentos nas Urgências por questões económicas.

Os dados divulgados  esta terça-feira indicam que é nas consultas externas e de especialidade realizadas em hospitais públicos que há maior atividade perdida. São 1 055 297 atos médicos não praticados, dos quais 539 mil por razões ligadas ao custo dos transportes, 254 mil pelo valor a pagar pelas taxas moderadoras e em 260 mil situações por ambos os motivos. Já nas deslocações às Urgências houve 960 881 episódios não realizados.

O trabalho indica ainda que nos exames de diagnóstico meio milhão não foram efetuados pelos mesmos motivos. Nos centros de saúde o panorama não é mais animador e foi apurado um valor de 860 433 consultas não concretizadas perante a despesa a efetuar com transportes ou com o pagamento das taxas moderadoras. Assim, em consultas com um médico de clínica geral ou médico de família, a questão do custo das taxas moderadoras foi a justificação para menos 489 mil registos, 253 mil foram devido ao custo dos transportes e 117 mil por ambos os motivos.

PORMENORES
Redução de absentismo

O Índice de Saúde Sustentável revela que o absentismo por doença representou 2,1 mil milhões de euros em salários. Um valor que poderia atingir os 2,8 mil milhões se não tivessem sido prestados cuidados de saúde.

Preço adequado
Na avaliação da qualidade, eficácia e preços praticados no Serviço Nacional de Saúde os portugueses apenas revelam uma evolução positiva no preço, que é satisfatório para 59,3% dos inquiridos em 2017, quando em 2016 eram 59,1%.

Maioria diz ser saudável
A maioria dos portugueses considera que é saudável. Os dados divulgados revelam que em 2017 foram 63,6% os que disseram ter um estado de saúde bom, quando em 2016 eram 57,3% com a mesma opinião.

Faltas por doença
A maioria dos portugueses falta ao trabalho por motivos de doença. O Índice de Saúde Sustentável revela que 54,4% faltou pelo menos um dia. Destes, 14,6% faltaram mais de 20 dias e 4% mais de 11 dias.

Mais recorreram ao SNS
No último ano, houve um aumento do número de utentes que recorreram ao Serviço Nacional de Saúde. Os dados referem um total de 2,8 milhões de doentes, repartidos pelos cuidados primários e por hospitais.

Fonte: Correio da Manhã